12 de ago de 2014

Pra gente criar um ninho

- Pra gente criar um berço tem que sobrar um pouco. Rir sem ter certeza da piada, contar a história sem dizer nada. Tem que esperar nascer o dia. Tem que entender, tem que crescer. E tem que entender que não entende. Só as palavras amarram, Albertina. Só as palavras amargam. Nada amarra, nada amarga. Palavrar é desenhar vento e a mudança: é tudo e nada. Ai, a gente acha um ninho... bem paradinha (só pra entender). Junta os fiapos, guarda a coisa bonita. Se não a gente congela ou desatina: vira coisa seca, rancorosa e carrancuda. Me prometa, minha menina, que sua vida você vai  bordar d'outro jeito. Promete? Não crie seu berço em mim, nem nele: seja sua. E como faz pra não secar? Ah, minha menina, não chore não... ou melhor, chore. Até ver bem pertinho que tudo é em vão. Pra gente não secar tem que ser maior que o medo, botar rédea nele e não deixar que ele nos dê conselho, nem de morte nem de vida

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